sábado, 19 de março de 2011

Danço-me


Dançar é conversar com meu corpo, flutuar, deslizar sem segredos nas mais profundas sensações do meu espírito.

Dançar me despe de pudores adversos, ignorantes do prazer que reclusos fogem desse bailar contaminante e tenro.

Dançar me eleva aos altares de Ísis, ilumina-me da luz benéfica do deus Apolo , e “Afrodita- me” de beleza e amor, emerso à espuma do mar onde a deusa nasceu.

Dançar me conduz as palavras que se transformam em poesias, caseiam meus passos, ondulam minhas mãos que abraçam Vinícius, Quintana e Drumonnd

Dançar me faz sinfonia composta por Mozart, Beethoven, Chopin, definidas por emoções que transitam num corpo apaixonante, cujo coração se entrega ao fascinante bailar da bailarina.

terça-feira, 15 de março de 2011

Minha criança sozinha


Observo crianças a brincar e sorrio com a alegria exposta em seus rostos.
Não existe a preocupação do dia a dia.
Seus desejos se resumem em satisfazer seus anseios infantis, sempre cheios de sonhos e fantasias.

Vejo-me criança outra vez.
Uma euforia me invade o peito que se rompe
Flutua rumo ao passado.
E me faz brincar de pega-pega , amarelinha e cabra-cega.

Meus olhos brilham e meu coração se afeiçoa a essa criança outra vez.
Ela me contagia e me faz gargalhar.
Encosto meu rosto no seu que ruboriza
Conduzo-a com cuidado para meu mundo lúdico e
rodopiamos e dançamos agarradinhas.

Nossas mãos se entrelaçam, nossos rostos unidos serenam.
Fechamos os olhos.
Faz-se silencio.
Somos nós apenas, apaixonadas pela criança que agora brinca sozinha.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ilusão Tardia


A ocasião em que vivo explora os meus olhos ,
confunde o meu espírito ,
converge uma angústia viva nesta inquietação a tremular diante de palavras frias e difusas contidas nesta ilusão tardia.


Exploro a minha condição de ser para sugar do seu sonho e assim me alimentar,
viver entre as suas entranhas ,
apossar-me nos cantos mudos da sua fragilidade e conspirar-lhe meus desejos desperto.


Tento conter a lentidão da vida presa nas soleiras das portas,
todas mal cheirosas,
sem você ,
sem nós,
sem vida nenhuma.